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OPINIÃO
  • Por que os generais não imitam a Rede Globo?
    16/01/2014 | 09h41

    Luiz Cláudio Cunha

    Passaram-se 49 anos, quase meio século, para o Brasil ver o inesperado, o impensável. Não uma, mas duas vezes.

    No curto intervalo de 75 dias, o País que hostiliza a memória teve de se voltar para o passado e resgatar personagens e verdades históricas, revolvendo fatos e circunstâncias que uniram durante muito tempo duas forças poderosas na implantação e essenciais na sustentação da ditadura: as Forças Armadas e as Organizações Globo. 

    Na manhã cinzenta de uma histórica quinta-feira, 14 de novembro de 2013, no hangar da Base Aérea de Brasília, dez cadetes do Exército, Marinha e Aeronáutica carregaram com visível esforço a pesada urna funerária que continha os restos mortais do presidente João Goulart (1919-1976), exumado de seu túmulo em São Borja (RS) para uma perícia internacional que poderá elucidar dúvidas sobre sua morte. O esquife foi recebido com reverência de chefe de Estado, guarda de honra, hino, salva de tiros de canhão e um forte clima de emoção dominava os 160 convidados da família Goulart e da presidenta Dilma Rousseff, que ali estava com parte de seu Ministério.

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    Abertura do artigo de Luiz Cláudio na revista Brasileiros

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    Entre as autoridades, os três comandantes das Forças Armadas, que prestaram continências tardias ao homem que derrubaram do poder em 1964, marco de uma ruptura institucional que golpeou a democracia e martirizou a nação pela violência e pelo arbítrio [...]

  • Frase da hora, por Anderson Garcia
    15/01/2014 | 08h19
    "Apesar de defender o prefeito Eduardo Leite, não posso defender este governo, que não deu a importância devida a esta festa (Carnaval) e desrespeita as pessoas e a cidade".

    Anderson Garcia, vereador da base do governo, ex-líder deste na Câmara, em matéria do site da Câmara.

  • Câmara quer que Prefeitura explique Carnaval no Porto
    15/01/2014 | 07h49

    Do site da Câmara

    Carnaval 2014: Câmara quer explicações da Prefeitura

    Depois de quase três horas de audiência pública marcada pelos ânimos tensos dos participantes, a Câmara de Vereadores decidiu que encaminhará pedido de informações ao Executivo a respeito do Carnaval 2014, e ao Ministério Público, para que se pronuncie sobre possíveis irregularidades que envolvem a festa a menos de 45 dias de sua realização. 

    De acordo com o presidente do Legislativo, Ademar Fernandes de Ornel (DEM), a audiência foi realizada para que fossem oferecidas respostas a várias questões, mas nada foi esclarecido pelo superintendente de Manifestações Populares da Secretaria de Cultura, Francisco Rangel.

    Cadê Beatriz?

    São quatro as perguntas que os vereadores querem ver respondidas: quem vai realizar o Carnaval?; quanto a festa vai custar aos cofres públicos?; a empresa Viger, que já está envolvida nos preparativos, receberá quanto?; e já houve ou haverá licitação de empresas? Não é só. O presidente questionou onde se encontra a secretária de Cultura,  Beatriz Araújo. "De férias? É assim que ela demonstra seu interesse pelo Carnaval? E o prefeito? Também não se sabe onde ele está!" E continuou: "Este não seria o Carnaval dos sonhos de Pelotas? Ou será o Carnaval do pesadelo?"

    As preocupações do presidente foram as mesmas dos demais parlamentares presentes. Marcos Ferreira (PT), Ricardo Santos (PDT), Antônio Peres (PSB), também proponentes da audiência pública, e Anderson Garcia (PTB), Edmar Campos (DEM), Rafael Amaral (PP), Tenente Bruno (PT) demonstraram sua insatisfação com a falta de esclarecimentos.

    O público, formado por carnavalescos e moradores da área do Porto, onde a Prefeitura pretende realizar a festa, também se manifestou, a maioria preocupada com a demora na organização do Carnaval.

    Porto

    Um dos mais preocupados com a festa é o chefe de Divisão do Porto de Pelotas, Darci Cunha. Ele explicou que tem se reunido com os funcionários para tentar viabilizar as operações locais durante o Carnaval. "Temos 55 famílias que dependem do Porto, além de uma estrutura patrimonial e armazéns da Receita Federal onde ficam mercadorias apreendidas", disse Cunha.

    Ele explicou que procurou o chefe de gabinete do prefeito, para levar sua preocupação, e que Paulo Morales lhe disse que "o Porto é inoperante". 

    "Eu lhe respondi que não, e que só temos onze guardas para fazer a segurança do local. Se alguém ultrapassar a área do Porto e cair na água, de quem será a responsabilidade? Será nossa."

    Apesar de explicar que a área onde será realizado o Carnaval será menor do que o anunciada, o representante do governo não conseguiu convencer os vereadores de que a festa está bem organizada.  "A passarela não vai restringir as residências e vamos substituir as lâmpadas por outras de 400 watts para iluminar bem toda a área, além de aumentar o efetivo da Brigada Militar".

    Partiram dos vereadores as principais críticas à falta de esclarecimentos do governo. O vereador Anderson Garcia fez questão de deixar claro que, apesar de defender o prefeito Eduardo Leite, no caso do Carnaval "não poderia defender este governo, que não deu a importância devida a esta festa e desrespeita as pessoas e a cidade".

    Rafael Amaral também se posicionou. "O que falta é um trabalho levado a sério, com uma equipe na Secult (Secretaria de Cultura) que goste de Carnaval, porque esta festa gera empregos e é importante para a economia da cidade".

    Ricardo Santos afirmou que a responsabilidade é do prefeito e que, lamentavelmente, as festas populares, como Carnaval e Iemanjá, estão acabando neste governo. O vereador também disse que a Comissão Especial do Carnaval, criada em agosto, da qual ele e o vereador Marcola fazem parte, foi desrespeitada quando o  governo tomou decisões sem consultá-la.

    O vereador Tenente Bruno relembrou os problemas de segurança de 2013. Ele pediu que o Corpo de Bombeiros seja contatado de início e que a segurança privada não seja contratada de forma irregular para evitar profissionais sem qualificação.

    Antônio Peres questionou se, neste ano, haverá redução de custos para a festa, uma vez que a área será menor e haverá menos escolas desfilando. O vereador Edmar Campos disse que o asfalto que será usado para a pista de desfiles poderia ser usado em vilas e bairros.

    MAIS

    - O carnaval itinerante de Pelotas

    - Por favor, não asfaltem a zona do Porto

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  • Goteiras mil na Rodoviária
    15/01/2014 | 06h00

    Rodoviária de Pelotas

    Parece instalação da Bienal do Mercosul... Mas é a Rodoviária de Pelotas!

    Eugênio Lumertz, leitor do Amigos

    A foto acima foi tirada nesta terça (14), às 4h45 da madrugada. É um absurdo a quantidade de goteiras na Rodoviária de Pelotas. As dezenas de baldes já não dão conta da água que vem do teto. 

    Enormes poças se formam em todo o piso, tornando-se uma ameaça para os passageiros que ali circulam - especialmente os idosos, que correm risco de fratura. 

    Urge uma ação imediata do poder público antes que ocorra um grave acidente. Não é por falta de aviso.

    Da Redação - A rodoviária é administrada por uma empresa da Prefeitura chamada Eterpel.

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  • Reações ao tema 'treilers' & outras
    15/01/2014 | 05h40

    DESESPERO COM TEMA 'TREILER ILEGAL'

    Ana Júlia (foto) não pode + ouvir a palavra "treiler" (de lanches), que começa puxar os cabelos. Não está só. Quando se pensa que assunto será resolvido, vereadores convencem Ministério Público e Prefeitura e adiarem a solução um pouco +. Pelotas possuía, até ontem, 277 treilers ocupando espaço público ilegalmente, muitos há décadas. A última notícia - se não houver nova prorrogação - é de que em 40 dias os donos dos treilers e quiosques vão deixar seus pontos. Licitação começa em fevereiro e, nela, governo pretende oferecer vagas a no máximo 150 treilers, adequados, enfim, a um plano de urbanização.

    PS. A garota também puxa os cabelos quando ouve falar em licitação do transporte coletivo. 

    Rolezinho pelotense

    Pelotas terá seu "rolezinho" no shopping Pelotas. Evento está marcado para 16h20 do próximo domingo, 19.

    Voluntários para Copa

    Programa Brasil Voluntário, que selecionará voluntários para ajudar na Copa do Mundo, reabriu inscrições. Cadastro para treinamento e seleção de candidatos está disponível até 6 de março no site do programa - aqui.

    Operação Tartaruga

    Sem avanço nas negociações com empresas de ônibus de Porto Alegre, Sindicato dos Rodoviários da Capital avisa que a categoria vai fazer operação-tartaruga a partir da madrugada desta quarta "pelo tempo necessário", circulando no limite mínimo das vias.

    Salvamentos recorde

    Chegou a 493 o número de salvamentos desde 21 de dezembro pela Operação Golfinho no Rio Grande do Sul. Nos primeiros 25 dias, a média é de quase 20 resgates a cada 24 horas.

    Aumento nas passagens não pega Pelotas

    Foi aprovado nesta terça-feira (14) pelo Conselho Superior da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) o reajuste de 6,72% nas tarifas do transporte rodoviário intermunicipal de longo curso.

    O aumento não vale para os ônibus da Região Metropolitana de Porto Alegre e das aglomerações urbanas do Sul (Pelotas e demais municípios da região), do Nordeste (Caxias do Sul e municípios da Serra) e do Litoral Norte do estado.

    A decisão será publicada no Diário Oficial do Estado nesta quarta-feira (15). O reajuste ainda depende do cálculo do Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem (Daer). Ainda não há data definida para que as novas tarifas entrem em vigor, mas a expectativa é de que isso ocorra nos próximos dias.

    Novo diretor de Obras

    Governador Tarso Genro recebeu nesta terça (14) o novo diretor de Obras da secretaria da pasta. Advogado, coordenador adjunto da assessoria jurídica da Casa Civil do estado, Fausto Loureiro assume o cargo após o afastamento de Odir Baccarin em meio às investigações da polícia sobre esquema de desvio de dinheiro e corrupção através de superfaturamento de obras.

    Jacaré à vista

    Um jacaré de papo amarelo adulto foi capturado na praia do Laranjal nesta terça (15). Localizado perto do convento das Carmelitas, morreu depois que foi apreendido pela Briga Militar. Informação é de que o animal estava debilitado. De dezembro passado até aqui é a terceira vez que um jacaré dá as caras no Laranjal.

    Colégio Tiradentes no MP

    Ministério Público abriu inquérito para investigar denúncias de cobranças ilegais supostamente praticadas pelo Colégio Militar Tiradentes, em Pelotas.

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    MAIS

    - Contenção da Unimed & outras

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  • Rolezinhos se espalham pelo País
    15/01/2014 | 04h47

    Após a repressão contra jovens e a proibição dos chamados “rolezinhos” por quatro juízes, em São Paulo, ao menos 17 eventos já foram marcados em diferentes cidades do país para os próximos finais de semana.

    Nos rolezinhos, jovens da periferia se encontram aos milhares em shoppings center. 

    O número de confirmados para os próximos eventos varia entre algumas dezenas e milhares de participantes, em rolês como o do Shopping Itaquera.

    Iniciados por jovens da periferia em São Paulo no mês de dezembro, os eventos se espalharam pelo país e devem acontecer em shoppings, parques e até centros culturais.

    Impulso

    Depois das polêmicas decisões judiciais obtidas por shoppings de São Paulo contra os “rolezinhos” e da publicação de vídeos em que policiais militares agridem adolescentes, esses encontros de jovens em centros comerciais, marcados pelas redes sociais, foram rapidamente “exportados” para outras cidades e até outros estados.

    Na segunda à tarde, nas redes sociais, era possível encontrar eventos marcados não só em shoppings de cidades do interior de São Paulo, como Bauru e Sorocaba, mas também em centros comerciais de Brasília e do Rio, em apoio aos eventos da capital paulista.

    No Shopping Leblon, que fica em uma das zonas mais caras do Rio, até a noite desta segunda, mais de 4 mil pessoas confirmaram na internet a presença em evento marcado para o próximo domingo.

    A diferença em relação aos primeiros “rolezinhos” é que os novos são convites com o objetivo de protestar.

    “Em apoio à galera de São Paulo, contra toda forma de opressão e discriminação aos pobres e negros, em especial contra a brutal e covarde ação diária da Polícia Militar no Brasil, seja nos shoppings, nas praias ou nas periferias”, diz a convocação do evento carioca.

    * Com informações de Carta Capital e do Diário do Centro do Mundo.

    MAIS

    - Hitler descobre verdade sobre rolezinhos

    - Etnografia do Rolezinho

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  • Etnografia do Rolezinho
    15/01/2014 | 03h08

    Rosana Pinheiro-Machado*, do blog da autora

    Em 2009, eu e minha colega e amiga, Lucia Scalco, começamos a estudar o fenômeno dos bondes de marca. Como? A gente reunia a rapaziada, descíamos o morro e íamos juntos dar um rolezinho pelo shopping - o lugar preferido desses jovens da periferia de Porto Alegre.

    Eles nos mostravam as marcas e lojas preferidas. Eles contavam como faziam de tudo para adquirir esses bens (descrevemos todas as possibilidades em nossos papers). Havia uma agência (no sentido de prazer de Appadurai) impressionante nesse ato de descer até o shopping. Eles não queriam assustar, porque nem imaginavam que discriminação fosse tão grande que eles pudessem assustar. Muito pelo contrário: eles faziam um ritual de se vestir, de usar as melhores marcas e estar digno a transitar pelo shopping.

    Uma vez um menino disse que usava as melhores roupas e marcas para ir ao shopping para ser visto como gente. Ou seja, a roupa tentava resolver uma profunda tensão da visibilidade de sua existência. Mas, noutro canto, os donos da loja se assustavam e cuidavam para ver se eles não roubavam nada. Um funcionário disse à Lucia a mais honesta frase de todas (uma honestidade que corta a alma): "Não adianta eles se vestirem com marca e vierem pagar com dinheiro. Pobre só usa dinheiro vivo. Eles chegam aqui e a gente na hora vê que é pobre". Eles, no entanto, acreditavam que eram os mais adorados e empoderados clientes das lojas. Um funcionário da Nike uma vez declarou para a pesquisa: "Nós nos envergonhamos desse fenômeno de apropriação da nossa marca por esses marginais". Mas eles nos diziam: "As marcas deveriam nos pagar para fazer propaganda, porque nos as amamos. Sem marca, você é um lixo".

    Quando eu mostrei o Funk dos Bens Materiais em aula, uma aluna de camadas altas comentou: "Quando a gente vê a figura toda montada, marca estampada, já vê que é negão favelado". Infelizmente não me surpreendeu o fato de toda a aula ter caído na risada. Esse mesmo tipo de pessoa é aquela que ainda diz que é um absurdo comprar televisão, "pobre deveria alimentar a prole" e ponto final. No programa Papai Noel dos Correios, que eu e Lúcia analisamos, uma menina desafiava o seu destino: "kiido papai noel: eu me comportei, eu passei de ano, eu cuido da minha vó, meu pai sumiu de casa. Eu só quero uma calça da Adidas!". Mas vocês podem concluir que cartas como essas são relegadas por meio de uma moralidade escrota: todos os pedidos de meninas e meninos de roupas de marca eram vistos como um desaforo. Que absurdo! Afinal, pobre deve pedir material escolar e bicicleta! 

    Eu tenho ficado quieta nesse caso do rolezinho porque este talvez seja o assunto que mais seja caro à minha sensibilidade acadêmica e política. Esse tema é justamente o que me faz me afastar de uma certa antropologia vulgar com suas interpretações do tipo "que lindo, essas pessoas se apropriam das marcas e dão novos significados e agência e bla blá blá prá boi dormir". Mas também é este tema que me aproxima ao que a antropologia tem de melhor: ouvir as pessoas. 

    Não há uma grande diferença do rolezinho organizado e ritualizado das idas aos shoppings mais ordinárias (ainda que a ida ao shopping pelas classes populares nunca tenha sido um ato ordinário), eu vejo uma continuidade que culmina num fenômeno político que nos revela o óbvio: a segregação de classes brasileiras que grita e sangra. O ato de ir ao shopping é um ato político: porque esses jovens estão se apropriando de coisas e espaços que a sociedade lhes nega dia a dia. Quando eu vejo aquele medo das camadas medias, lembro daquelas pessoas que se referiram "aos negões favelados". E há certa ironia nisso. Há contestação política nesse evento, mas também há camadas muito mais profundas por trás disso.

    Eu estou acompanhando os rolezinhos e sinto certo prazer em ver aquela apropriação. Mas entre apropriação e resistência há um abismo significativo. Adorar os símbolos de poder - no caso, as marcas - dificilmente remete à ideia de resistência que tanta gente procura encontrar nesse ato. O tema é complexo não apenas porque desvela a segregação de classe brasileira, mas porque descortina a tensão da desigualdade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, entre o Norte e o Sul. E enquanto esses símbolos globais forem venerados entre os mais fracos, a liberdade nunca será plena e a pior das dependências será eterna: a ideológica. Por isso, para entender a relação que as periferias globais tem com as marcas e os shoppings, é preciso voltar para os estudos colonialistas e pós-colonialistas. A apropriação de espaços símbolos hegemônicos, desde Mitchell até Newell, passando por Bhabha, Rouch e Ferguson, nos mostra uma permanente tensão na apropriação que tenta resolver a brutal violência que esta por trás desse ato. O meu lado otimista não nega o que esses jovens nos disseram: do prazer que sentem em se vestir bem e circular pelo shopping para SEREM VISTOS. Meu lado pessimista tende a concordar com Ferguson de que há menos subversão política e mais um apelo desesperador para pertencer à ordem global. É preciso entender o rolezinho dentro de uma perceptiva do Global South de séculos de violência praticada na tentativa de produzir corpos padronizados, desejáveis e disciplinados. 

    O pobre no shopping repete a mimeses de Bhabha. A classe media disciplinada vê os jovens vestindo as marcas do mercado hegemônico para qual ela serve. A classe media vê os sujeitos vestindo as mesmas marcas que ela veste (ou ainda mais caras), mas não se reconhece nos jovens cujos corpos parecem precisar ser domados. A classe media não se reconhece no Outro e sente um distúrbio profundo e perturbador por isso. Não adianta não gostar de ver a periferia no shopping. Se há poesia da política do rolezinho é que ela é um ato fruto da violência estrutural (aquela que é fruto da negação dos direitos humanos e fundamentais): ela bate e volta. Toda essa violência cotidiana produzida em deboches e recusa do Outro e, claro, também por meio de cacetes da polícia, voltará a assombrar quando menos se esperar.

    * Rosana é cientista social e antropóloga. Professora de Antropologia do Desenvolvimento da Universidade de Oxford. Escreve sobre a China, o Brasil, os BRICS e os países emergentes e em desenvolvimento em geral

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  • Sincretismo na alma do Brasil
    14/01/2014 | 13h54

    Montserrat Martins

    Candomblé, católicos e evangélicos convivem nas mesmas famílias, em Salvador, com exercícios de tolerância recíproca que não são fáceis, mas necessários. Sincretismo não é artigo de luxo para turista ver, é o ingrediente mais fundamental na formação do nosso povo.

    Do século XVI ao XIX, africanos de grupos étnicos diversos e rivais foram escravizados e trazidos ao Brasil. Os Iorubás vieram da região onde hoje fica a Nigéria, os Fons foram trazidos de Benin, os Bantus das regiões de Angola, Congo, Guiné, Moçambique, Zaire. As origens destes e de outros grupos estão bem descritas no livro “O Candomblé bem explicado”, de Odé Kileuy e Vera de Oxaguã.

    Por mais de três séculos foram comercializados como escravos e o primeiro sincretismo obrigatório começou entre eles próprios, que vinham muitas vezes de tribos rivais. A dispersão da etnia Bantu no Brasil abrangeu os estados do RJ, SP, MG, ES, MA, PE, BA e RS. Os Iorubás e Fons foram para áreas urbanas do RJ, SP, BA, PE e MA. Alguns reinados africanos foram cúmplices do escravagismo, vendendo os vencidos em guerras intertribais. Vivenciando a mesma condição de escravos no Brasil, grupos rivais foram forçados a interagir pela preservação de sua cultura.

    O Candomblé foi criado no Brasil (fato que muitos desconhecem), naquelas condições adversas. Obrigados ao catolicismo, passaram a cultuar seus orixás através dos santos católicos, com as analogias possíveis. Ogum em São Jorge, Obá em Santa Bárbara, e por aí em diante.  O que não te mata de fortalece, como disse Nietzsche, e foi assim que a cultura religiosa africana sobreviveu e se enraizou com muita força em todo o Brasil.

    Existe um “apartheid brasileiro” que mais de um século depois da escravidão separa os negros de cargos de poder econômico no país, mas no terreno cultural as barreiras foram vencidas, principalmente na música e no esporte. Com os múltiplos sincretismos que foram sendo criados através dos séculos, a cultura afrodescendente se manteve viva e vigorosa.

    Já os indígenas, além genocídio que sofreram (de sua população de milhões de pessoas aos poucos sobreviventes de hoje), também foram exterminados culturalmente. É mais fácil você encontrar um livro sobre os xamãs dos esquimós ou dos índios americanos do que sobre os brasileiros, por exemplo. Os Guarani-Kaiowá e outros lembrados nas redes sociais são o último grito contra a extinção completa da cultura que era a original destas terras, antes das invasões européias.

    A Pindorama – nome tupi-guarani para “terra das palmeiras”, como chamavam o nosso país – pede socorro. Medindo felicidade pelo PIB, ao invés do novo conceito de “Felicidade Interna Bruta”, a mentalidade européia invasora não reconhece seu valor. A profunda mensagem de “Avatar”, sucesso de bilheterias, ainda não penetra em seus espíritos. O Brasil está empobrecendo sua cultura. Está perdendo parte de sua alma.

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  • Situação de donos de treilers... nããããooo!
    12/01/2014 | 21h12

    Última atualização: às 18h36 de 13/01/2014

    Mariana S. Soares (foto), reagindo à informação de que os donos dos quase 300 treilers da cidade aboletados ilegalmente sobre o espaço público há décadas, conseguiram, por generosidade do Ministério Público, mais 45 dias de prazo para regularizar em definitivo seus negócios. Estudante de Direito, Mariana conta que não pode mais sequer ouvir falar no assunto Treiler nem olhar para vereadores legisladores defendendo ilegais, pois se dá conta do absurdo do caso e da lentidão da Justiça para fazer cumprir a lei e, assim, acaba sentindo vontade de abandonar o curso, no qual investiu até aqui dois anos.

    MAIS

    - Paula estica prazo para donos de treiler

    - Prefeita em exercício promete discutir com MP pedido dos proprietários de treilers

    - Prefeitura assina decreto de regularização de treilers

    - Regularização de treilers: uma ótima notícia

    - Vereadores que não gostam de leis

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  • Postais da cidade: Pedro Osório
    12/01/2014 | 20h18

    Geraldo Hasse

    Pedro Osório nasceu em 1854 em Caçapava do Sul, onde desde menino aprendeu a conduzir tropas para as charqueadas de Pelotas.

    Em 1907, charqueador e empresário da navegação de pequena cabotagem, começou a plantar arroz na várzea do arroio Cascalho. Nos anos seguintes, construiu o maior engenho de beneficiamento de arroz da América do Sul (1 200 sacos por hora), cujas ruínas abrigam algumas almas penadas da história pelotense. 

    Para ter lenha para o engenho e os levantes d’água para os canais de irrigação, plantou 30 mil pés de eucalipto. Durante a I Guerra Mundial, exportou arroz para a Argentina e o Uruguai, e carne para a Europa. Em 1919, recusou o cargo de ministro da Agricultura, indicando o amigo pelotense Dr. Ildefonso Simões Lopes. Morreu em 1931, deixando uma multidão de órfãos na várzea da zona sul do Rio Grande.

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  • Mais leitos para Pelotas, pela UFPel
    12/01/2014 | 16h22

    Rubens Filho

    Dentro de três meses, se a obra correr bem, Pelotas terá 16 novos leitos para doentes, informa o professor Mauro Del Pino, reitor da UFPel. O Centro de Cuidados Paliativos, pioneiro da região e no País, oferecerá estrutura com postos de enfermagem, salas de procedimento etc. 

    O ambiente é inovador porque seu foco é o atendimento a pessoas em fase adiantada da doença ou em processo de envelhecimento que requeiram cuidados especiais. O Centro vai cuidar também dos familiares dos doentes e conterá aparato humano e material necessário à prestação do serviço de atendimento domiciliar, este já em andamento, com duas equipes que dão assistência simultânea a 20 pelotenses, em casa. 

    A criação do Centro é excelente notícia para Pelotas, carente de leitos hospitalares. 

    Vale lembrar que, através da UFPel, Pelotas está em vias de ganhar outros 350 leitos com a construção do novo Hospital Universitário da Instituição. Para que o HU se torne real, falta hoje assinatura de contrato com a Ebserh (Empresa Brasileira da Administração de Hospitais Universitários). Numa cidade com alto déficit de leitos como Pelotas, um novo HU, com o suporte de atendimento regional para o qual foi planejado, seria uma conquista sem precedentes. 

    A população e os prefeitos de Pelotas e dos demais municípios da Zona Sul, que igualmente sofrem com a falta de leitos, aprovam o novo hospital.

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    Vereador autor da lei

    PROIBIÇÃO DE ARMAS DE BRINQUEDO

    Câmara proibiu a venda de armas de brinquedo a partir de 90 dias. De autoria do vereador Marcola (PT), lei vai, segundo site oficial, "estimular menores a optar por outro brinquedo ou livro". Diz o vereador: "Temos dever de assegurar às crianças e adolescentes direito a uma vida com menos violência". 

    Minha assistente, Lívia, me mostrou a notícia e comentou:

    "Para que essa lei pegue, só falta agora aprovarem outra lei, que proíba a gurizada de acessar a internet, jogar videogame e ir ao cinema. Feito isso, a violência certamente vai cair em Pelotas, a não ser que a garotada fique enfurecida com essas proibições e resolva sair pra rua imitando black blocs".

    Lívia me lembrou do filme Take the Money and Run. Numa das tentativas de fuga, criminoso atrapalhado fabrica um revólver 'feito de sabão' (a partir dos 26 segundos do vídeo).

    WOODY ALLEN FAZ ARMA COM SABÃO NO FILME 'TAKE THE MONEY AND RUN'


    CINEMA NO TABLET

    Sempre agradeço por viver no tempo histórico de algumas evoluções tecnológicas que dão praticidade à vida. Gosto muito delas. Minha última curtição é o canal Netflix, uma locadora virtual de filmes e séries. Assisto-os quando, como e onde quero, usando o tablet ou o celular.

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  • Azul é a cor mais quente
    11/01/2014 | 19h26

    Déborah Schmidt

    Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma jovem de 15 anos que divide sua rotina entre ir à escola e dar aulas de francês para crianças. Certo dia, ao atravessar a rua, ela se encanta por Emma (Léa Seydoux), uma artista plástica mais velha e com o cabelo da cor azul. As duas acabam se conhecendo e iniciam um intenso relacionamento.

    Azul é a Cor Mais Quente é livremente inspirado nas histórias em quadrinhos homônimas, escritas e desenhadas por Julie Maroh e publicadas em 2010. O diretor tunisiano Abdellatif Kechiche realiza um trabalho incrível, adotando a naturalidade como sua grande marca. Aliás, vale destacar que nenhuma das atrizes utilizou maquiagem durante o filme, o que ressaltou ainda mais as suas belezas.

    Enquanto Adèle possui uma família simples, com pais que não dispensam uma boa macarronada e que são objetivos na hora de pensar sobre o futuro, Emma vem de uma família de intelectuais que a aceitam como ela é. Poderiam existir inúmeros empecilhos ao relacionamento delas, mas o filme acertadamente não perde tempo com essas questões.

    A longa duração do filme, de quase 3 horas, pode parecer um ponto negativo. Porém, posso garantir que não, que o envolvimento com a história é tão grande que nem sentimos o tempo passar. Na primeira metade conhecemos em detalhe a protagonista, e a personagem é construída de forma perfeita, fazendo com que o espectador a compreenda completamente.

    O azul não está presente apenas no cabelo de Emma, mas também em quadros que possuem elementos da cor. A fotografia opta por primeiros planos, onde vemos claramente uma Adèle vulnerável em estilo quase documental, situações corriqueiras como comer, dormir e até chorar.


    Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux oferecem uma das interpretações mais impressionantes que já vi no cinema. O longa é construído através das magníficas atuações delas, que se entregaram de corpo e alma ao filme. Cheio de cenas intensas, não apenas nas polêmicas cenas de sexo, mas também nas brigas, as duas dominam a tela de forma excepcional.

    Em seu título original, “A Vida de Adèle” é um drama complexo emocional e psicologicamente, contando uma história repleta de diálogos árduos e que analisa os sentimentos humanos de forma transparente e real. O que assistimos é mesmo a vida de Adèle e sua transformação de menina em mulher.

    Infelizmente não veremos o filme sequer concorrendo ao Oscar, isso porque a França escolheu Renoir, cinebiografia do artista plástico francês, como o representante do país. Por isso, acredito (e torço, claro) que Azul é a Cor Mais Quente deve vencer, neste domingo, o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. Um prêmio de consolação para um longa que venceu a Palma de Ouro em Cannes, no júri presidido por Steven Spielberg.

    Azul é a Cor Mais Quente é provocativo, chocante e um dos grandes filmes do sempre interessante cinema francês. Filme mais do que obrigatório para qualquer cinéfilo.

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  • A visão do Planalto de como imprensa "tradicional" vai atuar em 2014, ano da eleição presidencial
    11/01/2014 | 19h04

    Segundo Luis Nassif, autor do texto abaixo, a "velha mídia" atuará com a mesma virulência, mas sem a força do passado. Espera-se, ainda, que O Globo migre totalmente para a internet

    "A mídia política, vista do Planalto Central"

    Luis Nassif

    Vista do Planalto Central, não se tem ilusão sobre a virulência da velha mídia em 2014. Mas há dúvidas sobre a intensidade dos ataques em relação às últimas eleições.

    Hoje em dia, a situação dos grupos de mídia é significativamente mais frágil do que a de quatro anos atrás. E não há sinais de que o PSDB disponha de fôlego financeiro para apoiar a campanha midiática.

    - Tome-se o caso do Estadão, diz um dos estrategistas do governo. Está à venda. Hoje em dia, consegue a cobertura mais sóbria, separando a notícia dos editoriais. Daqui para frente o que irá fazer? Atropelar o noticiário para fazer política ou preservar a imagem para ser vendido?

    A mídia impressa já jogou a toalha em relação ao papel. O Globo já deu início a uma estratégia para, dentro de cinco anos, abandonar definitivamente o papel. Vindo para a Internet, os jornais têm audiência, mas sem o peso enorme dos tempos em que a informação concentrava-se em quatro grupos e nas manchetes do papel impresso.

    Por isso, a estratégia do Planalto será deixar que o avanço da Internet democratize as comunicações e o poder dos grupos de mídia se dilua naturalmente.

    Lamenta-se a mudança de rota do Valor Econômico, até algum tempo atrás considerado o mais sóbrio dos diários. Houve uma mudança perceptível no tom do noticiário e nas manchetes  após uma reportagem sobre o estilo de governar de Dilma Rousseff, que acabou disseminando a imagem de arbitrária e casca grossa.

    Segundo Nassif, jornal O Globo vai abandonar o papel, passando a existir só na internet

    A reportagem baseou-se exclusivamente no depoimento do ex-ministro Nelson Jobim, que saiu magoado do governo. Várias fontes do Palácio foram consultadas e rebateram a maneira como se traçou o perfil. Foi em vão. A reportagem captou um sentimento difuso sobre a suposta grosseria de Dilma e acabou alimentando a onda.  Deste então, houve a mudança na linha editorial.

    Não foi possível entender as razões do MEC ter adquirido mais de R$ 2,5 milhoes em assinaturas da revista Nova Escola, da Editora Abril. Não se negociou nenhuma trégua com a Abril. Pelo contrário, há semanas correm boatos de mais uma das capas tradicionais de Veja contra um auxiliar direto de Dilma.  Além disso, a linha da revista, preconceituosa, ideológica, não recomendaria nenhuma publicação da Abril como material educacional, ainda mais em compra oficial do MEC.

    Não foi possível apurar as circunstâncias que cercaram essa compra. Mas atendeu a interesses internos do próprio MEC, não do Planalto.

    * Textos de Luis Nassif são republicados no Amigos com autorização do autor.

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  • EGR começa a administrar catorze praças de pedágio
    11/01/2014 | 18h54

    A substituição das concessões privadas fez com que o preço das passagens municipais baixasse ligeiramente nesta semana, entre R$ 0,20 e R$ 0,80; além do transporte de passageiros, o de carga também terá benefícios, segundo a empresa

    Yuri Muller, Sul21

    Criada na metade de 2012, a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), que substituiu as concessões privadas em algumas das rodovias do estado, passa a administrar, nesta terça-feira (7), catorze praças de pedágio. A mudança no sistema de pedágios fez com que o preço das passagens municipais baixasse ligeiramente nesta semana, ao menos nas rodovias administradas pela EGR.

    A EGR esperava estar à frente das catorze praças no final do primeiro semestre de 2013, mas algumas das empresas privadas entraram com recursos contra o fim da concessão, o que atrasou o anúncio. Desde então, nos polos em que a empresa pública atua, os valores cobrados são menores em relação ao panorama anterior. A diminuição da tarifa paga nos guichês fez com que, consequentemente, o transporte de cargas e de passageiros também passasse por ligeiro barateamento.

    Segundo informações do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER), mais de trezentas linhas de ônibus intermunicipais foram atingidas num primeiro momento com a desativação de pedágios da antiga concessão. A redução da passagem variou entre R$ 0,20 e R$ 0,80 nestes trechos. A partir da zero hora desta terça-feira (7), quando será iniciada a cobrança de tarifa em novas cinco praças, as passagens encarecem um pouco. Em cerca de setenta linhas, o bilhete sobe entre R$ 0,15 e R$ 0,60.

    Além do transporte de passageiros, o de carga também terá benefícios, segundo a empresa. “O caminhão que viajava de Carazinho a Porto Alegre chegava a pagar, ao longo de toda a viagem, cerca de R$ 250,00 em pedágios. Este preço agora vai ser menor”, exemplifica Luiz Carlos Bertotto, presidente da Empresa Gaúcha de Rodovias. Para Bertotto, trata-se de uma consequência “pensada”, já que há relação direta entre os dois serviços rodoviários.

    A mudança no sistema de pedágios era uma questão que há tempos se discutia nos governos estaduais. Parte das concessões foi colocada à disposição da iniciativa privada nos últimos anos da década de 1990, durante o mandato do ex-governador Antonio Britto. A EGR afirma que, ao contrário deste modelo, espelha-se no método dos pedágios comunitários já posto em prática pelo DAER.

    “Trabalhamos com a participação comunitária, através dos conselhos, que decidem conosco o rumo dos investimentos e o que vai ser aplicado nas rodovias, que seguem o modelo dos pedágios comunitários do DAER. Diferentemente das concessões, a empresa não vai ser administrada apenas por seus diretores”, avalia Luiz Carlos Bertotto. A EGR garante que não planeja incorporar mais praças ou modificar o preço das tarifas nos próximos meses.

    Além do atraso para assumir a gestão de algumas das praças de pedágio, a EGR também se depara com a demora para viabilizar a aquisição de ambulâncias para as rodovias que administra. Até o momento, apenas três dos trinta e um carros já estão à disposição do corpo de Bombeiros. Segundo Bertotto, o atraso no processo licitatório se deve a mudanças no modelo de ambulância a ser comprado. No entanto, o presidente da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) garante que o atendimento está sendo feito de outras formas nestas estradas.

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  • Prefeitura estica prazo a donos de treiler
    10/01/2014 | 19h48

    Nota da Prefeitura:

    Prefeitura amplia prazo para remoção de trailers fixos

    Em conformidade com o Ministério Público (MP), que aceitou a solicitação do Executivo, a Administração dará mais 45 dias para que os estabelecimentos irregulares fixos se tornem móveis ou parem de funcionar

    A prefeita em exercício, Paula Mascarenhas, anunciou, nesta sexta (10), que o início da remoção dos trailers que ocupam o espaço público e não são móveis foi estendido para 17 de março.

    Com a autorização do Ministério Público (MP), o Decreto nº 5.720 de 10 de janeiro de 2014 estabelece que somente a partir desta data a prefeitura passará a atuar como polícia administrativa, fiscalizando e removendo os trailers que ocupam irregularmente o espaço público. 

    “Este decreto em nada altera o anterior, apenas estabelece este novo prazo. A prefeitura manterá o cronograma que já havia sido divulgado e no dia 31 de janeiro publicitará o projeto com o número e a localização dos trailers e quiosques e as medidas-padrão que estes estabelecimentos deverão seguir. Os proprietários terão ainda 45 dias, a partir disso, para decidir pela adaptação necessária para continuar trabalhando ou se preferem aguardar a licitação”, ponderou.

    Paula recebeu a imprensa local na sala de reuniões anexa ao gabinete do prefeito, acompanhada pela secretária de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana, Joseane Almeida, do assessor do programa Cidade Bem Cuidada, Paulo Morales, e do promotor Paulo Charqueiro. 

    “Como muita informação está correndo, achei por bem dar a posição da prefeitura e resposta ao pleito dos comerciantes”, destacou Paula. 

    A prefeita em exercício recordou que proprietários de trailers vêm usufruindo do espaço público sem nenhum ônus há anos. “Muitos se beneficiaram desta situação, mesmo conscientes da irregularidade, e o poder público é responsável porque até agora não fiscalizou e não fez cumprir as leis relativas à utilização do espaço público”, frisou.

    Por esta razão, a prefeita destacou, a Prefeitura de Pelotas é ré no processo nº 022/1.12.0019043-0, movido pelo MP, que lhe impõe o dever de efetiva fiscalização e regularização do uso do espaço público urbano ocupado irregularmente por trailers, quiosques e assemelhados.

    Promotor nega pedido

    Questionado pelos proprietários de trailers e representantes do Legislativo sobre a possibilidade de permitir o uso do espaço até que seja concluída a licitação, o promotor foi taxativo: “Impossível. Isso contraria a sentença. Esta fase de encaminhamento para a regularidade não pode se prorrogar indefinidamente. Precisamos dar um basta”, disse Charqueiro.

    No início da tarde, antes de receber a imprensa, a prefeita em exercício havia anunciado a ampliação do prazo a uma comissão de parlamentares – Ademar Ornal (DEM), Rafael Amaral (PP), Marcos Ferreira (PT) e o deputado estadual Catarina Paladini (PSB) - e representantes dos proprietários de trailers.

    “Toda mudança implica em crise, conflitos, resistência... Tenho certeza que depois de passado este momento de adaptação e regramento do espaço público, teremos uma cidade muito mais organizada e feliz, que beneficiará a todos, e teremos o reconhecimento de que esta ação é meritória”, concluiu Paula.

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