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OPINIÃO
  • Prefeitura dá R$ 45 mil à Associação Rural para evento privado desta
    17/10/2013 | 20h15

    A prefeitura deu R$ 45 mil dos cofres públicos à Associação Rural de Pelotas, supostamente para ajudar esta entidade privada a realizar a Expofeira (exposição de animais) de 2013, terminada há pouco.

    O repasse foi feito pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo, dirigida por Fernando Estima.

    A justificativa para o repasse foi esta: "Valor referente à contribuição com a realização e divulgação do "EVENTO" (NÃO DIZ QUAL EVENTO) por meio de recursos próprios de comunicação, ou contratos, mediante repasse de subvenção à Associação Rural".

    A justificativa aparece sob a especificação de "Serviços de Apoio ao Ensino".

    A data do empenho é 26/09/2013.

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  • http://www.pelotas.com.br/
    Feira do livro: Serve para Porto Alegre, mas não para Pelotas
    17/10/2013 | 14h25

    Praça da Alfândega, Porto Alegre, recebe as estruturas da feira do livro de 2013. Já em Pelotas, sem motivo convincente, a Prefeitura retirou a feira da praça

    Feira do Livro de Porto Alegre: em fase de montagem na Praça da Alfândega

    Marcos Macedo, livreiro

    Essa semana, a bordo do Expresso Embaixador, cruzei a ponte do Retiro com destino a Porto Alegre. Fui acompanhar a montagem da Feira do Livro de lá.

    Na capital a Feira ocorre há 59 anos na Praça da Alfândega, local muito menor que a nossa Praça Coronel Pedro Osório.

    A Praça da Alfândega foi restaurada recentemente. Os canteiros são cercados e ajardinados; o piso é de pedras portuguesas; os monumentos estão bem cuidados. A praça é bem frequentada. Não existem cães vadios. Perguntei por eles; me responderam que só são encontrados na periferia da cidade.

    ____________________________

    Estruturas do evento, adequadas ao espaço da Praça, convivem bem com canteiros, protegidos por pequenas grades, e com bancos

    No projeto de restauração da Praça da Alfândega foi previsto que a Feira continuaria sendo realizada no logradouro. Conversei com arquitetos da prefeitura da capital; eles falaram na importância de preservar o patrimônio imaterial. Falaram como se fosse o óbvio ululante.

    Em Porto Alegre, a montagem da Feira ainda está no início. As coberturas sobre as barracas são exatamente iguais às usadas até o ano passado em Pelotas. Poucas bancas já estavam montadas. Uma delas, enorme, é maior que a de qualquer livreiro de Pelotas, feita do mesmo material usado aqui.

    Porto Alegre tem um milhão e meio de habitantes. Pelotas, 320 mil. Lá a Feira continua na praça. Aqui, segundo a Prefeitura, não pode porque prejudica a praça.

    Ciosos de suas tradições, os porto-alegrenses lamentam que esse ano o sino da Feira não será ouvido nem na abertura nem no encerramento do evento. Xerife da Feira há 36 anos, José Julio La Porta, 80, está no hospital há dois meses, com Alzheimer em estágio terminal. Segundo os coordenadores da Feira, ele é insubstituível.

    “Só quero que a história dele seja preservada”, pediu o filho de La Porta, Frederico Evers, com o sino e a estrela de xerife feita de pano nas mãos.

    271 km separam Pelotas de Porto Alegre. O Expresso Embaixador faz a viagem em pouco mais de três horas. De avião dá para ir em menos de uma hora.

    É perto.

    Mas lá a cultura é outra.

    ____________________________

    Praça da Alfândega: casa da povo e dos livros ao mesmo tempo

    Uma providência simples, o cercamento de monumentos por pequenas grades, garante proteção ao patrimônio, além do policiamento maior nos dias de feira

    ____________________________

    Panorâmica da praça (desculpe o possível torcicolo!)

    Praça da Alfândega, Porto Alegre, recebe as estruturas da feira do livro de 2013. Já em Pelotas, sem motivo convincente, a Prefeitura retirou a feira da praça

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    Pistas indicam que autor de artigo que acusa 'feudo livreiro em Pelotas' é funcionário da Prefeitura

    - Governo Leite tem outro por dentro

    - Vice-prefeita nega aluguel e confirma depósito de cerca de R$ 100 mil na conta da CL

    Vice-prefeita quer depositar R$ 100 mil dos cofres públicos em conta bancária da Câmara do Livro

    Nota da Prefeitura e da Câmara do Livro

    Prefeitura vai cobrar 'aluguel' de livreiros

    Leite oferece Mercado para a feira do livro

    Editorial: opinião sobre a polêmica

    Vice-prefeita defende mudanças na feira

    Beatriz fala sobre polêmica com livreiros

    Livreiros planejam fazer feira do livro própria

    Esclarecimentos da secretária Beatriz Araújo

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  • http://www.livrariamundial.com.br/
    Precisamos de parada e corte gay?
    16/10/2013 | 14h43

    Rubens Filho

    Tenho uma teoria sobre a parada gay em Pelotas. Acho que a cidade não precisa de um evento "chamando atenção para a inclusão social".

    Além da mensagem ter sido assimilada, em geral Pelotas sempre aceitou bem os gays, mesmo fingindo que o gay não era gay, como era comum no passadoConvive com eles, com alegria e prazer, há décadas, em todas as classes sociais. 

    Tanto é que os pelotenses, por exemplo, já elegeram gays para reitor, vereador etc., o que prova a aceitação da diversidade sexual mesmo quando se submetem ao escrutínio público do eleitorado. 

    Verdade seja dita que nunca se viu reitor rodando a baiana em via pública, como prometem fazer os participantes da parada de domingo, na Bento Gonçalves, que terá R$ 17 mil de verba da Prefeitura, para delírio dos prováveis 30 mil espectadores carentes de espetáculo.

    Outra coisa que comecei a me perguntar, sem me aprofundar muito, é sobre a necessidade de uma Corte Gay no Carnaval. Acho que, pelo mesmo motivo acima, não precisaria existir. Até porque quem garante que entre as garotas da corte supostamente hétero não existam lésbicas?

    Além do mais, o conceito de "Corte" tem óbvias referências em realezas monárquicas, modelo estético que, paradoxalmente, aparta-se do mundo moderno, plural, democrata e republicano pelo qual os gays dizem lutar.

  • Solução insólita
    16/10/2013 | 03h30

    "Se a prefeitura quer proteger o patrimônio cultural, baseada na ideia de que desligando a feira do livro da praça fará isso, não será levando o mesmo evento para outro patrimônio cultural, que é o mercado público" (RH)

    Roberto Heiden, professor na UFPel

    Preservar o patrimônio cultural de uma cidade não é separá-lo da vida dos seus habitantes. 

    O maior desafio da preservação patrimonial é manter o bem cultural íntegro e ligado às dinâmicas próprias de cada cidade e de sua população. 

    O argumento de que a feira do livro deve sair da praça para proteger o patrimônio cultural lá encontrado é totalmente insolvente. 

    A feira do livro é um evento cultural e que leva a população a fazer um bom uso da praça, dos seus jardins e até mesmo do seu chafariz, que vira ponto de encontro para papos, chimarrão e muitas fotografias. Tudo isso reafirma o ícone da cidade, que é o chafariz, como um lugar de referência geográfica e afetiva da população pelotense. 

    Se querem cuidar da praça, poderiam começar mantendo uma boa iluminação noturna da mesma durante todo o ano, afastando todo o tipo de movimento sinistro que por lá de noite costuma ocorrer, e a torna tão inóspita. Por fim, se a prefeitura municipal quer proteger o patrimônio cultural da cidade, baseada na ideia de que desligando a feira do livro da praça fará isso, não será levando o mesmo evento para outro patrimônio cultural da cidade, que é o mercado público. 

    O mercado público não estaria correndo riscos também?

    Essa proposta só mostra o quanto isso tudo é insólito e esdrúxulo. 

    Enfim, devemos todos reivindicar a manutenção da feira do livro na praça central! E, por tabela, integrar também o mercado municipal com a feira do livro, ampliando os espaços do evento e integrando o edifício ainda não plenamente ocupado, com as dinâmicas da cidade.

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    Nota da Prefeitura e da Câmara do Livro

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  • Release da Prefeitura sobre o Dia do Professor
    15/10/2013 | 21h40

    Segue o release como veio (sem edição)

    Eduardo confraterniza com professores na festa da educação

    Descontraído, o prefeito cantou, dançou e até tocou pandeiro, acompanhando artistas locais e professora. Também assinou contratos para construção de 14 Emeis, avaliado em R$ 15 milhões

    Emoção, alegria e muita animação marcaram a Festa dos Trabalhadores da Educação”, promovida pela prefeitura nesta terça-feira (15/10/2013), no Centro de Eventos Fenadoce, para celebrar o Dia do Professor. 

    Descontraído e no clima de festa, o prefeito Eduardo Leite cantou, dançou e até tocou pandeiro, acompanhando artistas locais na celebração em homenagem aos servidores das escolas municipais. Cristiane Medeiros Gomes, auxiliar de educação infantil da Escola Municipal Érico Veríssimo, no Navegantes, dividiu o palco com o prefeito (foto em destaque).

    Prefeito e servidora de escola celebram

    “Foi sensacional! Ele brincou, se divertiu... Senti o prefeito muito presente, entre nós. Em 14 anos de prefeitura eu nunca tinha saído de uma festa assim, com uma visão diferente da educação. A gente se sentiu valorizada. Tenho certeza que ele tem muito a contribuir para nós”, disse Cristiane.

    _______________________________________

    Organizada pela Secretaria de Educação e Desporto (Smed), a festividade incluiu almoço servido a cerca de 1500 funcionários, assinatura de contratos pelo prefeito, pronunciamentos de autoridades municipais, projeção de vídeos motivacional e de reflexão, sorteios de brindes, show de Xana Galo e Banda, e apresentação do grupo de pagode da Escola Municipal Jornalista Deogar Soares, localizada no loteamento Dunas.  

    Eduardo procedeu à assinatura de contratos destinados à construção de 14 Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis), avaliados em R$ 15 milhões. 

    Após a breve cerimônia que antecedeu o almoço festivo, o chefe do Poder Executivo destacou a série de decisões do governo atual voltada à melhoria da rede municipal de ensino, que não se limita ao investimento na primeira infância.

    “Além da edificação das novas unidades, diversas Emeis em funcionamento passarão por obras de reforma e, na sequência, iniciaremos a recuperação das instituições de Ensino Fundamental com necessidades de reparos”, adiantou o prefeito. 

    Durante a explanação aos trabalhadores, Eduardo deu relevo ao pagamento das licenças-prêmio em atraso, ao crédito dos salários no final do mês, antecipando-os em relação ao habitual quinto dia útil; e à liberação de um terço de férias antes do usufruto do período de descanso. “É exatamente o ajuste financeiro em execução neste exercício que, podem ter certeza, resultará em breve no aumento real das remunerações da categoria”, projetou.

    A partir das conquistas elencadas, o prefeito sinalizou a formulação do plano de recuperação salarial dos professores que, segundo ele, representará em curto prazo “vantagem no bolso” do funcionário. Por fim, Eduardo parabenizou todo o corpo docente, que lotou o pavilhão do Centro de Eventos, e fez deferência especial aos profissionais do Município. “Aos verdadeiros heróis, por lutarem como nós pela causa da educação: o meu muito obrigado, o meu reconhecimento e a minha convicção de que juntos construiremos, a partir do ensino, uma cidade melhor”, disse.

    Prestigiaram o evento o assessor especial da prefeitura, que coordena o Programa Boa Escola para Todos, Sadi Sapper; os superintendentes de Apoio Administrativo e Financeiro, Carlos Mário Santos, e de Ensino da Smed, Loreni Peverada de Freitas Silva; e o líder do governo na Câmara Municipal de Pelotas, vereador Luiz Henrique Viana (PSDB). Representando o Legislativo pelotense, também participaram da festividade o presidente Ademar Ornel e outros parlamentares.

  • Prezado Eduardo Leite, pense um pouco...
    15/10/2013 | 11h01

    Rubens Filho

    Prezado Eduardo Leite, critico você eventualmente pelo que considero seus defeitos como prefeito, não por suas qualidades, que julgo serem muitas.

    No tema Feira do Livro 2013, acredito que você errou mais do que acertou até aqui. 

    A última notícia, sobre a provável autoria de um texto intitulado "Começa a ruir o feudo livreiro em Pelotas", é um desastre em todos os sentidos. Transmite sinal de sua fraqueza como administrador. Seus subordinados quebraram a hierarquia, não se importando com a imagem do governo, a não ser que você soubesse, o que não creio, pois seria uma surpreendente e triste decepção.

    O artigo, pelo que mostram as pistas, foi escrito por um funcionário de confiança da Secretaria de Cultura, Lúcio Xavier. Publicado onde? No site de outro funcionário de confiança da mesma secretaria, Deco Rodrigues, já vencedor de verbas do Procultura. Publicado também na página da Secretaria de Cultura na internet e no jornal Diário da Manhã.

    Veja, o problema não é o conteúdo do artigo. Liberdade de expressão precisa ser respeitada. 

    O problema está no fato de o texto ter como autor um anônimo escondido atrás de pseudônimo (Wladimir L. Karpov, que as pistas indicam ser Xavier) e de ter sido publicado assim mesmo, contrariando a Constituição, que veda o anonimato, no site de um funcionário municipal de confiança. Insista-se: ambos são subordinados à secretária de Cultura, Beatriz Araújo, que, por sua vez, é subordinada a você, que, diga-se, ficou conhecido pela "transparência".

    É uma situação que permite ao leitor perguntar: afinal, a afirmação de que há um feudo livreiro em Pelotas (e que essa visão é a verdade não dita oficialmente por trás das mudanças na feira do livro impostas pela Prefeitura neste ano) é de "Karpov", do editor Rodrigues, da secretária Beatriz ou do prefeito, você?

    Primeiro erro

    Na minha avaliação, você começou errando em relação à feira do livro ao designar para tratar da mudança de lay-out do evento a sua secretária de Cultura. Por que? Porque Beatriz Araújo teve conflitos com a Câmara Pelotense do Livro, ao ponto de ser afastada da função de produtora do evento. Ou seja, obviamente não era a pessoa indicada para impor aos livreiros que deixassem de ocupar o redondo (em torno do chafariz) e algumas alamedas da praça Cel. Pedro Osório e passassem ao leito das ruas Quinze e Lobo da Costa, com trânsito aberto por trás. Na certa, você percebe o significado que assume, na circunstância, a palavra "rua".

    Felizmente, após resistência dos livreiros, você sabiamente desistiu desse caminho, embora recusando-se a manter as bancas dos livreiros no redondo e nas alamedas.

    Ao meu ver, a própria secretária deveria ter se declarado impedida de tratar com os livreiros, por não ser a pessoa indicada para impor mudanças na feira. Se o avisou disso e você a manteve como "negociadora", faltou-lhe tato. Pois o conflito era evidente, um desgaste desnecessário, como ocorreu.

    Segundo erro

    Os argumentos usados para retirar as bancas dos livreiros da Praça se mostraram insustentáveis. A Prefeitura, via secretária de Cultura, fincou o facão no toco em três pontos: que a praça não podia ser usada pelas bancas porque estudo técnico oficial apontou "congestionamento de pessoas no local"; porque o grande fluxo afeta o patrimônio material do logradouro, canteiros, monumentos; porque a praça vai receber tratamento paisagístico. 

    Cada um desses motivos é facilmente desmontado.

    1) Congestionamento em feira de livro é normal. Toda feira tem. Em Pelotas, ocorre um pouco mais nos finais de semana, não nos dias de semana. Dos 21 dias de feira, em seis haveria "congestionamento".

    2) O patrimônio material que a Prefeitura diz querer proteger, em grande parte, não existe. Os canteiros da praça não têm flores há 30 anos. Mal cuidados, abrigam mato. Onde se vê algo que lembre grama, há descontinuidade desta por faixas de terra. O chafariz, o redondo e monumentos não sofrem durante a feira, pois o policiamento na praça é justamente reforçado nesses dias. O redondo é mais maltratado no dia-a-dia por esqueitistas do que pelos frequentadores da feira.

    3) O paisagismo da praça só ocorrerá em 2014. Logo, não justifica a pressa em 2013. Mais: mesmo com paisagismo, não há necessidade de retirar a feira da praça. Basta readequar o tamanho das bancas, redefinindo a ocupação do espaço público durante os dias da feira [...]

    Terceiro erro

    Quando os livreiros protestaram contra a transferência deles para o leito da rua, você desistiu desse plano. Teve então a oportunidade de corrigir os erros anteriores. Poderia ter voltado atrás e mantido os livreiros da praça, como ocorre há 20 anos, ocupando o redondo e as alamedas.

    Se teve a oportunidade, perdeu-a, preferindo um terceiro lugar, o Mercado Público, uma opção que não é ruim, mas tem a desvantagem de ser provisória. 

    Na prática, o Mercado é um quebra-galho. Ao optar por esse caminho, você virou as costas a uma história de 50 anos construída por tantos livreiros, pessoas que não foram consultadas nem mesmo convidadas a debater o futuro do evento.

    Veja: mesmo que os livreiros e a Câmara Pelotense do Livro (CPL) não reúnam recursos para fazer uma grandiosa feira do livro (com dimensões de festa literária, até porque nunca foi esse o objetivo da feira, que é do livro), o evento feira do livro, queiram ou não, pertence a eles, não à Prefeitura, que oficialmente é (ou não) apoiadora.

    Este ponto, essencial, foi esquecido. Melhor, patrolado pela Prefeitura. Daí o livreiro Marcos Macedo ter dito que o Executivo havia "sequestrado a feira".

    A Prefeitura montou um grupo de trabalho, incluindo carnavalescos, para "repensar o Carnaval de 2014 com um ano de antecedência", mas não fez o mesmo com o evento feira do livro. Em vez de propor um debate aos livreiros e à CPL nos mesmos moldes temporais e de participação, apenas comunicou (ou seja, impôs), em julho passado, que a mudança de lay-out da feira era inegociável.

    Resumindo, com esses equívocos, você criou um problema em 2013 que não precisava ter sido criado. E maculou um pouco a imagem 'republicana' do governo.

    COMENTÁRIOS FINAIS

    Os erros acima me parecem centrais. 

    Qualquer solução, mesmo que funcione em 2013, não terá a legitimidade de um processo democrático, respeitoso e sadio.

    Ficará a marca do ano em que oficialidade sequestrou um evento privado, com o objetivo de transformá-lo de acordo com sua visão única e indiscutível.

    2013 será lembrado como o ano em que a Prefeitura se apropriou de um evento que não é (era) dela, com a cumplicidade, é preciso dizer, da Câmara Pelotense do Livro.

    Agora preciso criticar a CPL.

    No começo, a CPL foi contra a mudança de lay-out. Ameaçou não participar da feira. Depois, quando o prefeito sugeriu o Mercado, a presidente da CPL, Isabel Zschornack, e os livreiros como um todo deixaram de protestar. A partir do momento em que a vice-prefeita anunciou que iria repassar cerca de R$ 100 mil à conta bancária da CPL, para que esta própria contrate produtos e serviços da feira com dinheiro público, a direção da CPL deixou de atender ao Amigos

    A última frase da presidente a nós foi: "Nada a declarar".

    Eu tentava saber da presidente da CPL qual havia sido a decisão da entidade sobre a cobrança de R$ 25 mil feita pela Prefeitura contra a CPL a título de contrapartida por aquela investir R$ 100 mil do contribuinte no evento.

    Minha pergunta tinha uma razão central: por ser a realizadora da feira (proprietária do evento), nunca a CPL havia sido cobrada por nada pela Prefeitura. Até então os livreiros arcavam com os custos de suas bancas e aluguel de toldos. Até 2012, estes apenas colaboravam com uma quantia em torno de R$ 15 mil para a programação cultural que a Prefeitura passou a introduzir na feira, buscando valorizar o evento em termos turísticos.

    Portanto, quando o Executivo exige contrapartida de R$ 25 mil, além de uma arbitrariedade, confirma que está se apropriando de um evento que não é dela, passando, no fim das contas, a ditar as regras.

    Deduzo que a CPL, ao se negar a falar comigo (ou melhor, ao responder-me nada a declarar), está achando ótimo os rumos que as coisas tomaram. Deduzo que, para os livreiros, não faz mal que a Prefeitura esteja se adonando do evento. No momento a Câmara do Livro está preocupada em como vai administrar os R$ 100 mil que a entidade vai receber da Municipalidade.

    Ao meu ver, esses fatos mostram que a direção da CPL não tem visão histórica do que representa nem dos rumos que deve trilhar como entidade em função de sua trajetória. Segue ao sabor da onda da conveniência, apequenando-se em seu papel e negando-se a debatê-lo.

    O artigo intitulado Começa a ruir o feudo livreiro em Pelotas, que as pistas indicam ser de autoria de Lúcio Xavier, cargo de confiança na Secretaria de Cultura e gerente de Livro e Literatura, não foi respondido pela presidente da CPL, que se mantém calada. Maior prova de que a Prefeitura já é dona da feira, não há.

    Daqui em diante é possível que o evento mude de nome e até vire algo melhor do que é hoje. De qualquer modo, os métodos dessa transição não serão esquecidos.

    Pessoalmente, acompanho a visão daqueles livreiros que consideram o artigo "feudo" apenas uma expressão miúda de uma gestão que parece contaminada pela presunção de que pode tudo, inclusive decidir o que é melhor para os outros sem perguntar o que os outros acham. Não é o melhor caminho. 

    Com o tempo, esse comportamento acaba gerando resistência.

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  • Pistas indicam que autor de artigo que aponta "feudo de livreiros" é funcionário da Prefeitura
    14/10/2013 | 19h52

    Rubens Filho

    Última atualização: 21h51 (fim)

    Algumas pistas seguidas pelo Amigos de Pelotas até aqui indicam que o artigo "Começa a ruir o feudo livreiro de Pelotas", publicado no site e-cult, criado pelo funcionário de confiança da Secretaria de Cultura (Secult) Deco Rodrigues, e na fanpage da mesma Secretaria, foi produzido por um funcionário da Prefeitura, escondido atrás de pseudônimo.

    O provável autor, segundo apontam as pistas, é Lúcio Xavier, gerente de Livro e Literatura da Secult. Pode não ser? Pode. Mas as pistas, por ora, levam a ele.

    Colega de Rodrigues, igualmente em cargo de confiança na Secult, Lúcio, e Rodrigues, são subordinados à secretária de Cultura, Beatriz Araújo.

    O artigo citado que sustenta "o início do fim do feudo livreiro", por obra hipotética da atual gestão municipal, que impôs mudanças à feira do livro deste ano, é assinado por um autor "russo". Assina o texto no e-cult "Wladimir L. Karpov". 

    Artigo falando em feudo de livreiros saiu no site e-cult, que tem como editor um funcionário de confiança da Secretaria de Cultura. Assinado por Wladimir L. Karpov, que o professor João Paulo, em blog, diz ser Lúcio Xavier, igualmente cargo de confiança na Secult

    Pesquisando na internet, o Amigos de Pelotas encontrou um blog assinado por um homem que se apresenta como professor João Paulo de Oliveira. Ele residiria em Diadema (SP).

    No blog, que tem por título Bem-vindos (as) ao meu vagão do Expresso Oriente!, e pode ser acessado neste endereço, Oliveira faz referências elogiosas a Lúcio Alves Xavier, menciona que ele é natural de Pelotas e que Lúcio era a personagem Wladimir L. Karpov numa comunidade de orkut da qual ambos participavam. 

    A postagem está registrada na blogger (que hospeda o blog do professor), datada de 15 de abril de 2011, uma sexta-feira.

    Além de mencionar que Lúcio é Wladimir L. Karpov no orkut, o professor João Paulo publica fotografias que mostram ele e Lúcio juntos, em vários momentos. Veja abaixo.

    Professor João Paulo de Oliveira e Lúcio Xavier (ou Wladimir L. Karpov, segundo Oliveira)

    Escreve o professor em sua postagem no seu blog:

    Este vagão do Expresso do Oriente está em festa, porque tem a prerrogativa de receber meu diletíssimo amigo, o ilustre historiador Lúcio Alves Xavier, que nos dias em curso reside na circunspecta cidade de Curitiba-PR. Durante alguns anos, quando ele residia na cidade de Pelotas-RS, que o viu chegar neste maltratado e fascinante mundo, era componente da Equipe do Instituto João Simões Lopes Neto, que foi criada para preservar e cultuar a memória do nobilíssimo escritor João Simões Lopes Neto, apresentando-o as novas gerações! Conheci o valoroso Lúcio em 2007, quando participava de uma comunidade orkutiana, onde criei um personagem, o devasso professor escocês, que apreciava ostras e caracois concomitantemente e tinha uma gaita de fole disputadíssima,conhecida até nos confins do Deserto de Gobbi e era dono do Cabaret Kit kat, na Berlim belicosa de 1940. O argutíssimo Lúcio personificava o agente Wladimir L. Karpov, meu sobrinho, um garboso homem, que nenhuma mulher resistia aos seus encantos devido a sua também disputadíssima balalaika...

    _____________________________

    Abaixo, cópia do mesmo trecho acima, como está publicado no blog do professor João Paulo, nominado Bem-vindos (as) ao meu vagão do Expresso Oriente!

    No seu blog, professor João Paulo diz que Lúcio Xavier é Wladimir L. Karpov

    Lúcio Xavier e o professor João Paulo: amizade alcançou o facebook

    Lúcio (primeiro à esquerda, no pé da lista de amigos de João Paulo) manteve relacionamento de amizade com o professor, agora no facebook

    Endereço do facebook do professor João Paulo, que tem como um dos amigos Lúcio Xavier, da Secult, a quem João atribui em seu blog o pseudônimo de Wladimir L. Karpov.

    O Amigos procurou Lúcio Xavier na Secult, no final da tarde desta segunda (14), mas o funcionário não estava na Secretaria. Também não retornou a ligação.

    MAIS

    - Governo Leite tem outro por dentro

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    Editorial: opinião sobre a polêmica

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    Esclarecimentos da secretária Beatriz Araújo

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    Linha editorialPrêmios e Comentários

  • De porta em porta, um livreiro criou a primeira feira do livro de Pelotas
    13/10/2013 | 12h54

    Numa hora como esta, em que a Prefeitura se propõe a repensar o futuro da Feira do Livro, um pouco da história deste evento, nascida do sonho de um jovem

    Gilberto Duarte: pioneiro da feira do livro pelotense

    Em novembro de 1960, um jovem pelotense de 24 anos, vendedor de livros de porta em porta, ouvia o noticiário das oito horas da manhã da Rádio Farroupilha, quando falaram sobre a sétima edição da Feira do Livro de Porto Alegre, que estava acontecendo. 

    Imediatamente pensou em alugar um salão bem grande, convidar as livrarias da região e realizar algo semelhante em Pelotas. Quando os jornais do dia chegaram de Porto Alegre, às 11 da manhã, o jovem verificou que a Feira do Livro era realizada ao ar livre, na Praça da Alfândega, com diversas atividades, intenso público, e não envolvia apenas interesses comerciais.

    Foi então que o jovem vendedor, Gilberto Rezende Duarte, viu que tinha que procurar o poder público se quisesse realizar a Feira do Livro de Pelotas. No dia seguinte, às 10 da manhã, Gilberto foi com o irmão Itamar, que trabalhava com ele, ao gabinete do prefeito de Pelotas, doutor João Carlos Gastal.

    O prefeito se entusiasmou:

    – Nós temos de trazer a Feira do Livro para Pelotas – disse, com um soco na mesa. – Podem ir a Porto Alegre convidar em meu nome os livreiros de lá.

    No dia seguinte, Gilberto e Itamar pegaram o ônibus das quatro da manhã para Porto Alegre. Chegando lá, procuraram o irmão do prefeito de Pelotas, o crítico literário e de cinema Paulo Gastal, que escrevia no Correio do Povo. Foi ele quem levou os dois irmãos à Praça da Alfândega, para apresentá-los aos livreiros de Porto Alegre, que, tão imediatamente quanto o prefeito João Carlos Gastal, abraçaram a idéia de realizar a Feira do Livro de Pelotas. Seria a primeira no interior do estado, de 25 de novembro a 4 de dezembro de 1960, após o encerramento da Feira de Porto Alegre, para que os livreiros da capital pudessem vir.

    Ernani Nerva, Mauricio Rosenblatt e Leopoldo Boeck, livreiros de Porto Alegre, vieram para Pelotas preparar a Feira. Aqui formaram uma comissão organizadora com os irmãos Duarte, padre Raul Farina, presidente da Associação Riograndense de Imprensa, doutor Mozart Russomano, diretor do Instituto de Sociologia Política, e os livreiros Paulo Bertaso, da Livraria do Globo, e Alberto Martins Ramos, da Livraria Mundial.

    As barracas dos livreiros se instalaram na alameda dos jacarandás da praça. A Feira foi um sucesso. No dia da abertura, apareceu um conhecido estancieiro todo pilchado. Na primeira barraca, de uma livraria de Porto Alegre, separou uma porção de livros e pediu ao atendente:

    – Vai me apialando, que eu vou dar um passeio até o fim da cancha e já venho.

    Foi um dos primeiros compradores da Feira do Livro de Pelotas e entrou para o folclore da cidade.

    ***

    Nessa primeira fase, organizada com ajuda dos livreiros de Porto Alegre, a Feira de Pelotas funcionou até 1964. Muitos afirmam que ela foi interrompida por ordem do governo militar, o que não é verdade. Em Porto Alegre, por exemplo, a Feira era bem mais importante e continuou com relativa liberdade.

    Notícia da criação da feira em Pelotas, registrada pelo Diário Popular

    Alguns dos livros daquela época poderiam até ser considerados subversivos, e, mesmo assim, eram comercializados livremente, como “Rango”, de Edgar Vasques, o mais vendido de 1974, que ridicularizava a ditadura e a exclusão social. Mas também não podemos esquecer que a Livraria Farroupilha, especializada em livros de esquerda, foi incendiada em 1964, e nunca mais reabriu. A Farroupilha foi uma das livrarias de Porto Alegre que participaram da primeira Feira do Livro de Pelotas.

    A causa da interrupção da Feira de Pelotas é mais trivial. As barracas usadas eram as mesmas da Feira de Porto Alegre. Naquele ano de 1964, os livreiros da capital decidiram fazer novas barracas porque as antigas estavam destruídas, segundo eles por causa do transporte todo ano para Pelotas. Avisaram que dali em diante não emprestariam mais as barracas.

    Como a Feira de Pelotas era um sucesso cultural, mas não exatamente um sucesso de vendas, os livreiros de Pelotas não puderam arcar com os custos de fabricação de barracas próprias. O prefeito de então, Edmar Fetter, também recusou assumir a despesa.

    A Feira não estava tão consolidada quanto hoje, e acabou num sossegado esquecimento. Voltou em 1978, patrocinada pelo primeiro governo do prefeito Irajá Andara Rodrigues, justamente quando se encerrava o período de governos da Arena em Pelotas. Se não houve ordem do governo militar para acabar com a Feira, talvez existisse menos afinidade de seus partidários com a cultura e o livro, o que impediu o apoio que era necessário para a Feira se realizar.

    ***

    A Feira do Livro de Porto Alegre já homenageou todos seus precursores: Henrique Bertaso e Leopoldo Boeck foram patronos logo após suas mortes; Mauricio Rosenblatt o foi ainda em vida. Gilberto Duarte trabalhou a maior parte de sua vida com livros. Quando tinha cinco anos sua mãe morreu com câncer no seio. Foi criado pelas tias em Pelotas. A partir dos dez anos, com a saúde frágil, enfrentou uma vida de isolamento. Por causa disso, quase não estudou. Aos 17 anos, com a saúde recuperada, seu pai lhe perguntou onde ia retomar os estudos. “Eu vou trabalhar”, respondeu Gilberto. De tanto freqüentar consultórios médicos, conseguira a promessa de emprego, se ficasse curado, de representantes de produtos farmacêuticos que sempre encontrava nas salas de espera.

    Tempos depois passou a vender coleções de livros nas escolas. Pegava a relação de pais e ia visitá-los em casa.

    Após a primeira Feira do Livro de Pelotas, Gilberto, aos 24 anos, e Itamar Duarte abriram a Livraria Princesa do Sul, na rua Sete de Setembro, onde hoje é a loja Franco Giorgio. A livraria depois passou para a rua Félix da Cunha, próxima aos Correios, e finalmente para a rua Marechal Floriano, em frente aos abrigos de ônibus.

    Quando a Câmara Pelotense do Livro foi formada, em 1996, ele foi seu primeiro presidente. Hoje, aposentado, Gilberto vende planos de saúde.

    Em 2013 completa-se 53 anos que Gilberto Duarte ouviu, pela Rádio Farroupilha, numa manhã de novembro, a notícia de uma certa Feira do Livro em Porto Alegre, e como possuído pela idéia de realizar algo parecido em Pelotas, disseminou a idéia entre os pelotenses.

  • Flagrantes da cidade
    12/10/2013 | 21h42
    Irmãos Castagno

    Irmãos Rober, Breno e Gilberto Castagno, três bons amigos que cultivei pela vida.

    Breno, artista plástico, vive e trabalha em Salt Lake City, mas duas vezes por ano não se aguenta e vem passar uns dias em Pelotas.

  • Governo Leite tem outro por dentro
    12/10/2013 | 19h31

    Rubens Filho

    Última atualização: 12h24 de 13/10/2013

    O assunto "feira do livro 2013 em Pelotas" começou mansinho e tomou vulto. Algumas coisas não ditas vieram à tona em voz oculta.

    Esta voz nova aparece num artigo intitulado Começa a ruir o feudo livreiro em Pelotas, publicado no site E-cult. Seu autor não vem à luz. Usa pseudônimos.

    Três fatos permitem supor com alguma margem de segurança a origem da autoria. Conclua-se: 

    1) O texto assume a defesa da Prefeitura e dispara contra os livreiros.

    2) Foi republicado no site E-Cult, criado por Déco Rodrigues; Rodrigues é funcionário de confiança da Secretaria de Cultura.

    3) Segundo Rodrigues me disse hoje, o texto chegou a ser publicado na Fan Page da Secretaria de Cultura e saiu no Diário da Manhã desta sexta. No E-cult o autor oculto assina com um pseudônimo. No DM, com outro pseudônimo. No E-cult, o autor assina Wladimir L. Karpov; no Diário da Manhã, Wladimir Hessel.

    No E-cult, abaixo do nome do autor, aparece um endereço de facebook do próprio. Neste, a foto que identifica o 'autor' é do ator Malcolm McDowell, protagonista do filme Laranja Mecânica. Uma identidade falsa, fake, como se diz.

    ***

    Mesmo artigo, dois autores: texto criticando livreiros foi publicado no site E-Cult com o nome de Wladimir L. Karpov. Já no Diário da Manhã, o nome é Wladimir Hessel

    O anonimato autoral do texto produziu um efeito curioso. Deu-se um pouco o que ocorre quando se provoca muito uma pessoa. De repente, a pessoa explode e revela suas verdadeiras intenções, abrindo o segredo que explica a cadeia de suas atitudes. 

    O que era oculto atrás das mudanças impostas pela Prefeitura à feira do livro, que provocaram reações de livreiros, foi posto nu. Ouvi algumas fontes oficiais: é isso mesmo. Eles consideram os livreiros um feudo a ser quebrado.

    Por causa da contundência e da maneira como foi feita, ao meu ver sem uma condução adequada do debate, sobretudo nesta hora, é o tipo de afirmação que tende a produzir mais problemas que soluções após os atritos terem serenado. Ao menos, ainda que por meio de identidades pseudônimas, as motivações oficiais se tornam mais transparentes.

    Tentarei ouvir a opinião de livreiros sobre a afirmação "de feudo".

    Sem entrar no mérito, considerando válida a hipótese de feudo no setor, suponho, com admiração, que o poder público estaria determinado a enfrentar todos os feudos da cidade. Inclusive os poderosos feudos, como o dos donos de empresas de ônibus, que há décadas driblam a concorrência pública, e o da construção civil, para citar alguns.

    O que começou como uma inofensiva mudança de lay-out da feira do livro está indicando que este governo tem outro por dentro. É esperar e ver.

    Trechos inicial e final do artigo criticando livreiros, publicado no site E-Cult, criado por atual funcionário de confiança da Secretaria de Cultura

    MAIS

    - Vice-prefeita nega aluguel e confirma depósito de cerca de R$ 100 mil na conta da CL

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    Leite oferece Mercado para a feira do livro

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    Livreiros planejam fazer feira do livro própria

    Esclarecimentos da secretária Beatriz Araújo

    Mudança do local não passou pelo Conselho de Cultura

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    Feira do Livro vai mudar de lugar

    O ano em que a Prefeitura sequestrou a Feira do Livro

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    Linha editorialPrêmios e Comentários

  • Chafariz e feira do livro
    12/10/2013 | 05h07

    "Feira do Livro em Caxias do Sul. Lá o Chafariz pode participar".

    Luiz Eduardo Turino Mattos (foto abaixo)

    Luiz Eduardo Turino Mattos, o Canelafina, maratonista pelotense

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    Linha editorialPrêmios e Comentários

  • Prefeitura procura firma que faça projeto de reforma do ginásio do Pelotense
    11/10/2013 | 19h25

    Ao lado de Fernando Marroni (PT), o prefeito e a vice, Eduardo e Paula, fizeram um apelo à sociedade nesta sexta (11). 

    A Prefeitura tem até 30 de outubro para pedir formalmente recursos do Orçamento da União para a reforma do ginásio João Carlos Gastal, do Colégio Municipal Pelotense. Para isso, porém, precisa protocolar um projeto executivo da obra junto ao governo federal até aquele dia. 

    O problema é que a Administração não encontra empresa interessada em elaborar o projeto, o que pode levar à perda da chance de obter os recursos para a obra no próximo ano.

    As autoridades apelaram a alguma empresa que possa apresentar o projeto executivo da obra o mais rápido possível. A Prefeitura pagará pelo projeto valor de mercado, R$ 40 mil. O valor poderá ser pago sem licitação, pelo caráter de urgência.

    “Falta pouco mais de um mês para esgotar o prazo e ainda não conseguimos quem faça o projeto. Não estamos pedindo um favor, a Prefeitura irá pagar e a preço de mercado. A comunidade precisa se sensibilizar e nos ajudar a encontrar uma empresa que aceite fazer o projeto”, apelou a vice-prefeita, que tomou a frente do assunto desde o início do ano, quando também respondia interinamente pela Secretaria de Educação e Desporto (Smed).

    O ginásio do Colégio Pelotense foi interditado em 11 de março deste ano, por técnicos da Prefeitura, com base em um parecer técnico da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), que apontava problemas estruturais no espaço. O Executivo abriu processo licitatório oferecendo R$ 40 mil para a confecção do projeto executivo – cerca de 2% do valor total da obra, estimada em R$ 1,7 milhões. A licitação, ocorrida em agosto, foi deserta. A PGM liberou, então, a contratação direta, por dispensa de licitação, mas a Prefeitura segue enfrentando dificuldades de encontrar interessados no serviço.

  • A balbúrdia democratizante das redes sociais
    11/10/2013 | 18h14

    Luis Nassif

    Antes de ontem, em São Paulo, houve um evento de lançamento do novo site do “Carta Maior”.

    Trata-se de um portal assumidamente de esquerda, que congrega pensadores brasileiros e internacionais, unidos em torno das mesmas ideias e da Internet. Havia desde intelectuais latino-americanos até o espanhol Ignácio Ramonet, fundador do prestigiado Le Monde Diplomatique.

    ***

    A saga do Carta Maior repete-se em outras iniciativas da Internet. Em meio ao caos que domina o meio, aos ataques destrambelhados de esquerda e direita, à nova não-etiqueta – de um pessoal capaz de cometer, pela Internet, grosserias que jamais cometeriam presencialmente – começam a se moldar as referências, um pequeno arquipélago de blogs e sites independentes, capazes de fazer o contraponto.

    ***

    É uma construção algo complexa, devido à diluição das vozes.

    No velho modelo de jornal, um percentual maior de leitores lê Esportes, talvez os cadernos culturais e o Cidade – o caderno inicial com reportagens locais e, especialmente, policiais. Um contingente menor lê economia, política nacional e política internacional.

    Só que essa leitura, menor porém mais qualificada, acabava disfarçada pelo modelo da velha mídia, no qual todos compravam o jornal inteiro para ler apenas partes dele.

    ***

    NO velho modelo, havia inicialmente uma divisão nítida entre os chamados tablóides (os jornais sensacionalistas), a imprensa de opinião e o jornalismo regional.

    Embora de menor alcance, a imprensa escrita de opinião acabava pautando toda a cadeia da mídia, a imprensa regional, o jornalismo radiofônico e televisivo.

    A partir de meados dos anos 90, a busca incessante de audiência acabou rompendo muitas barreiras que separavam o jornalismo de opinião do sensacionalismo barato dos tabloides. Mesmo assim, mantiveram os chamados artigos e colunistas de fundo, ajudando a disciplinar os conceitos junto ao público remanescente de formadores de opinião, que continuaram seguindo os jornais.

    Com isso, o discurso político permaneceu bastante restritivo, externando a opinião de grupos restritos, em geral do eixo Rio-São Paulo.

    ***

    A Internet surge para romper esse bloqueio. Ainda é uma realidade caótica, mas já dividida em camadas hierárquicas – do público menos intelectualizado, que se move por slogans, aos formadores de opinião, que se articulam em torno de conceitos.

    São esses blogs e sites que ajudarão no trabalho civilizatório da rede, de disciplinar os ímpetos ativistas dos militantes, organizando o debate em torno de conceitos.

    ***

    A Carta Maior cumpre essa função. No outro lado do espectro político, o site  do Instituto Millenium tenta articular ideias e conceitos mais à direita. A maioria absoluta de seus colaboradores se criou à sombra do jornalismo tradicional.

    ***

    Gradativamente, surgem outros pontos de referência, que se articulam com os blogs de combate (aqueles que buscam fazer barulho em torno de cada assunto, por mais insignificante que seja), destes com seus seguidores, se espraiando pelo Facebook e pelo Twitter.

    ***

     Está-se na infância das redes sociais e existe muita balbúrdia. Mas é essa balbúrdia que permite ampliar a democracia.

  • Brancas, jovens e descontentes
    11/10/2013 | 18h00

    Geraldo Hasse

    “Os jornalistas brasileiros são uma categoria profissional predominante feminina, jovem e branca”. Assim começa o livro Perfil do Jornalista Brasileiro (155 pag., Insular, Florianópolis, 2013), que se baseia numa pesquisa nacional feita no segundo semestre de 2012 junto a 2.731 profissionais da comunicação social. 

    Embora a pesquisa seja um trabalho acadêmico realizado por estudantes e professores da Universidade Federal de Santa Catarina., o resultado final é uma obra engajada na análise das profundas mudanças provocadas no mundo do trabalho pela globalização da economia sob os mantras do neoliberalismo. Nunca antes neste país foi feita uma pesquisa tão densa e abrangente sobre a categoria dos comunicadores. 

    Já na introdução, os autores Jacques Mick, jornalista-doutor em sociologia política, e Samuel Pantoja Lima, jornalista e doutor em engenharia de produção, pegam pesado ao lembrar que nos últimos 20 anos “a profissão de jornalista sofreu profundas metamorfoses determinadas por transformações estruturais do capitalismo que reconfiguraram as possibilidades de atuação dos trabalhadores da área de comunicação social”. 

    Para fundamentar seu trabalho de investigação sociológica, Mick e Lima referem-se a três estudos anteriores sobre os jornalistas:

    1 - Em 1993, no livro O Mundo dos Jornalistas (Summus, São Paulo), Isabel Siqueira Travancas mostrou que os jornalistas se identificavam tanto com seu ofício em jornais e emissoras de rádio e TV que aceitariam sacrificar outras relações sociais, inclusive a vida familiar, em favor do jornalismo.

    2 – Em 2002, Alzira Alves Abreu (A Modernização da Imprensa: 1970-2000, Zahar, Rio) caracterizou a velha guarda jornalística, situada em postos estratégicos da imprensa, como dotada de envolvimento político e ideológico, estando sempre predisposta a agir em função de valores e utopias. Com as mudanças ocorridas a partir dos anos 1970, os jornalistas teriam abandonado o romantismo e a ideologia, passando a reconhecer-se mais como técnicos nas diversas especialidades existentes na profissão. 

    3 – Em 2008, Virginia Pradelina da Silveira Fonseca, em Indústria de Notícias – Capitalismo e Novas Tecnologias no Jornalismo Contemporâneo (Editora da UFRGS, Porto Alegre), concluiu estar em curso “uma mudança de perfil, de valores, de identidade e de representação do jornalismo e do jornalista na sociedade”. As mudanças seriam decorrentes de movimentos de reestruturação social condicionados pelo desenvolvimento das tecnologias e pela expansão do capital.

    Uma das evidências dessa metamorfose seria a cristalização de novos conceitos e denominações como:

    “jornalista multimídia”, apto a exercer várias funções full time em mais de um veículo de comunicação;

    “produtor de conteúdo” (em veículos impressos ou digitais)

    “assessor de imprensa/gestor de imagem”

    “assessor de relações públicas/gestor de crise”

    “professores de jornalismo”, cujo número passou de 1.500 (em 1990) para 6.000 (em 2010). 

    Ajuda a entender tantas mudanças um fenômeno extraordinário: o número de cursos de comunicação subiu de 18 até 1970 para 317 até 2010, inundando o mercado com uma massa de profissionais que, além de não encontrar colocação e/ou ter de sujeitar a subempregos ou/e múltiplos contratos, escapam à capacidade de observação dos sindicatos e do Ministério do Trabalho. Tanto que não se sabe quantos são os jornalistas brasileiros. Pode-se chutar de 100 mil a 500 mil (veja o lembrete no final).

    Segundo a pesquisa, a maioria dos jornalistas brasileiros tem até 30 anos. Apenas 0,4% têm mais de 64 anos. A profissão foi juvenilizada, palavra que poderia ser substituída por expressões referentes à falta de preparo e experiência.   

    As mulheres são 63,7% do total; 75% são filiados a sindicatos; 60% são solteiros/as; 51% têm religião; 71% são favoráveis à criação de um órgão superior, tipo ordem ou conselho profissional; 49% declaram-se de esquerda; 61% recebem até cinco salários míninos; 60% dos que trabalham na mídia têm carteira assinada; 27% são free lancers ou têm contratos sem carteira profissional; 22,8% trabalham em casa.

    Atuam fora da mídia, usando o conhecimento jornalístico, 40,3% dos profissionais do ramo.

    Apenas 9% trabalham na chamada mídia pública. 

    Um em cada cinco profissionais da mídia recebe algum tipo de participação nos resultados do trabalho. 

    Três quartos dos jornalistas têm seu trabalho veiculado total ou parcialmente na Internet. 

    Por fim, a maioria dos jornalistas pesquisados está satisfeita com o trabalho que faz, mas nem tanto com a remuneração. Os mais insatisfeitos com o salário são as mulheres, que ganham em média menos do que os homens para exercer funções iguais. O descontentamento é maior entre os profissionais com menos de 30 anos.

    LEMBRETE DE OCASIÃO

    Formam-se por ano no Brasil 12 mil jornalistas, mas apenas uma parte desse contingente encontra lugar no mercado de trabalho remunerado. Não se sabe ao certo quantos profissionais exercem o ofício. Entre 1980 e 2010, segundo estimativa dos autores da pesquisa acima, foram registrados 145 mil jornalistas no Ministério do Trabalho.

  • Acaba greve de bancários
    11/10/2013 | 10h06

    G1 - O Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) chegaram a um acordo na madrugada desta sexta-feira (11) para encerrar a greve da categoria, que completou 22 dias na quinta (10), informou a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf_CUT).

    A decisão agora terá de ser levada às assembleias locais para ser votada, e, se aprovada, porá fim à paralisação. Segundo a Contraf-CUT, cidades de São Paulo, incluindo a capital, Rio de Janeiro e Pernambuco vão realizar assembleias na tarde desta sexta. Demais sindicatos do país vão realizar assembleias até segunda-feira (14).

    Os principais pontos do acordo, segundo a Contraf-CUT, são 8% de reajuste (1,82% de aumento real); 8,5% (2,29%) de reajuste para o piso da categoria, e compensação pelos dias parados pela greve de até uma hora por dia (entre segunda e sexta-feira) até o dia 15 de dezembro.

  • Campos: "Cabeça de chapa será discutido em 2014"
    11/10/2013 | 09h46

    Depois de almoçar com Marina Silva nos Jardins, em São Paulo, nesta quinta-feira, o presidente do PSB, Eduardo Campos, afirmou que o nome do cabeça da chapa ainda não está definido, e só será discutido em 2014.

    — É preciso começar a aliança não pelos nomes, é preciso começar pelo conteúdo — disse Campos.

    Para ele, se o acordo com a Rede nascesse com o nome do cabeça de chapa já definido estaria se repetindo “os mesmos erros” da política tradicional. Campos descartou uma disputa com a ex-senadora, que aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto, pelo posto.

    — Se alguém imagina que vai ter problema entre Marina e eu para que a gente possa organizar isso está redondamente enganado.

    Marina disse que endossava as palavras de Eduardo e que a união entre Rede e PSB quer inverter a lógica da política brasileira.

    — O que acontece tradicionalmente: faz-se uma aliança eleitoral, ganha-se o governo e depois inventa-se o programa. Mais em O Globo.

  • Prefeitura quer depositar R$ 100 mil na conta da Câmara do Livro
    09/10/2013 | 21h54

    Última atualização: 08h34 de 12/10/2013

    Prefeitura pretende depositar R$ 100 mil dos cofres públicos na conta bancária da Câmara Pelotense do Livro, para que a entidade administre o dinheiro por si própria na realização da Feira do Livro. 

    Proposta foi feita pela vice-prefeita, Paula Mascarenhas, à presidente da Câmara do Livro, Isabel Zschornack. 

    A data da transferência do dinheiro público não foi definida.

    Ao mesmo tempo, a Prefeitura quer que, em contrapartida, a Câmara invista R$ 25 mil de recursos próprios no evento.

    Na nota oficial que divulgou nesta quarta (9), idealizada pela Prefeitura e assinada conjuntamente pela Câmara do Livro, a transação acima não é mencionada.

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    Prefeitura vai cobrar 'aluguel' de livreiros

    Nota da Prefeitura e da Câmara do Livro

    Vice-prefeita quer depositar R$ 100 mil dos cofres públicos em conta bancária da Câmara do Livro

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    Linha editorialPrêmios e Comentários

  • Feira do livro: chamem de contrapartida, taxa, que for; $ cobrado de livreiros é um tipo de aluguel
    09/10/2013 | 15h39

    Rubens Filho

    Última atualização: 08h37 de 12/10/2013

    Ontem publiquei que a Prefeitura iria cobrar na prática aluguel dos livreiros no Mercado Municipal, onde a Prefeitura, com a concordância da Câmara Pelotense do Livro, decidiu fazer a feira de 2013, após polêmica sobre o local do evento que ameaçou a sua realização.

    Hoje, uma nota enviada pela Prefeitura à imprensa desmente o aluguel. Diz ela que "em nenhum momento cobrou pela cessão do espaço público". 

    Vamos lá... 

    Antes de ir a ponto, gostaria de fazer alguns comentários.

    Primeiro, a nota (publicada dois posts abaixo) é assinada pela presidente da Câmara do Livro, Isabel Zschornack, e pela secretária de Cultura, produtora cultural Beatriz Araújo, dona de uma firma de produções de eventos na área. Repare: as assinaturas vêm nessa ordem, Isabel, primeiro, Beatriz, depois. Trata-se de um fato estranho, já que a ideia de redigir a nota partiu da vice-prefeita, Paula Mascarenhas, cuja assinatura está ausente do documento. 

    A vice-prefeita convocou os livreiros para uma reunião nesta terça (8) e disse a eles, segundo relatos de mais de um livreiro presente, que a Prefeitura não poderia assinar a nota sozinha porque ninguém iria acreditar nela. Era preciso a assinatura conjunta, pediu Paula. Isabel concordou.

    No final da nota, convenientemente, a assinatura de Isabel vem antes da "assinatura da Prefeitura", como se a Câmara estivesse à frente do documento, o que não é verdade. Mesmo assim, o texto, redigido por gente da Prefeitura e enviado por esta à imprensa, ainda dá precedência, na abertura do texto, à Câmara: "A Câmara do Livro e a Prefeitura..."

    Em segundo lugar, se a vice-prefeita deu a ideia da nota, por que quem a assina é a secretária de cultura? Não faz sentido. Quem está acompanhando o caso sabe que Isabel e Beatriz, como água e azeite, são incompatíveis. Problemas antigos que perduram no relacionamento entre a Câmara do Livro e Beatriz, do tempo em que esta foi produtora cultural do evento. 

    Agora, como secretária de Cultura, Beatriz foi a pessoa escolhida pelo governo para "tratar com os livreiros" da organização da feira. Eis uma decisão de 'grande tato'. Para complicar, Beatriz impôs àqueles a retirada do evento do redondo (volta do chafariz da praça), e passando os livreiros para o leito da rua, sem que houvesse motivo convincente e razoável para isso, dando origem a um confronto em que Isabel chegou a anunciar que livreiros não participariam do evento se Prefeitura insistisse em levá-los ao meio da rua, ponto do qual o Executivo acabou desistindo.

    Vice-prefeita deu ideia da nota oficial, mas não a assinou

    A Prefeitura poderia ter voltado à ideia original, à praça. Mas, em vez de ceder ao bom senso e à lógica, saiu-se com uma nova alternativa: o Mercado Municipal, jogando na lata do lixo 20 anos de tradição de feira na praça Cel. Pedro Osório, onde o evento poderia continuar a ocorrer tranquilamente pelos motivos citados nos links abaixo.

    Indo ao ponto, finalmente, o "aluguel". Observe...

    A Prefeitura diz que, como parceira da feira do livro, vai dar 80% da verba do evento; os 20% restantes ficarão a cargo da Câmara do Livro. 

    Ao Amigos, Isabel disse que o evento costuma custar R$ 120 mil e que, historicamente, os livreiros entram com R$ 15 mil do total. Atenção: este é um valor que a Câmara, como realizadora oficial do evento, determina, em função de suas possibilidades.

    A mesma Isabel, porém, disse ao Amigos que, neste ano, a Secretaria de Cultura (que se apropriou do evento, passando por cima da Câmara do Livro) tomou a liberdade de "cobrar R$ 25 mil de investimento da Câmara no evento", e com R$ 10 mil a mais do que os livreiros estão habituados a colaborar espontaneamente.

    Entenda: os livreiros não precisam gastar nada para expor seus livros, pois as bancas e outros materiais já estão comprados por estes há vários anos. Grande parte desses são reutilizados a cada ano, exceto toldos, que precisam ser alugados. Os R$ 15 mil são uma colaboração espontânea dos livreiros à parte cultural que a Prefeitura agrega ao evento, como palestras, shows etc. Trata-se, a rigor, de uma colaboração feita pelos livreiros por um motivo básico: por utilizarem o espaço público da praça.

    Dedução lógica: se a Câmara colaborava com R$ 15 mil por evento realizado na praça, por que deve, forçosamente, investir R$ 25 mil - incluindo R$ 10 mil extras pela realização do evento no mercado municipal?

    Outro ponto: a vice-prefeita disse, na reunião citada, que os R$ 25 mil são contrapartida dos livreiros.

    Chamem de contrapartida, taxa, do que quiserem, mas, sendo obrigatório o investimento dos R$ 25 mil por parte da CL, é, na prática, uma taxa de locação para ter direito a participar do evento em espaço público. Ou coisa pior: pedágio.

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    Linha editorialPrêmios e Comentários

  • Região Metropolitana local é "jogo de cena", diz especialista
    08/10/2013 | 19h04

    Rubens Filho, editor

    Por conta de notícias recentes sobre projetos de lei propondo a criação de uma Região Metropolitana (RM) de "Pelotas" ou do "Sul", de autoria de dois deputados estaduais, Miriam Marroni (PT) e Catarina Paladini (PSB), fui buscar informações com um especialista no tema, um jornalista amigo experiente em economia.

    Pedi a ele uma rápida aula sobre RM, já que sou cego no tema.

    A resposta dele, enviada há pouco por e-mail, segue abaixo. Mantive-a como veio, na íntegra.

    _______________________________

    Região Metropolitana (RM) é mais um "conceito" para ter acesso a verbas do Ministério das Cidades, para planejamento urbano, programas de transporte integrado etc.. Mas no Brasil as RMs não têm funcionado porque a cidade-principal (as capitais e as cidades-polo, como Campinas e Ribeirão Preto, no interior paulista) desprezam as cidades vizinhas, que não aceitam a prepotência das capitais

    Por isso as coisas praticamente não funcionam. 

    Porto Alegre não aceita conversar em pé de igualdade com Esteio, Guaiba etc. São Paulo vai trocar figurinhas com Itaquaquecetuba?

    Há regiões que, sem esse status de RM, funcionam direitinho só na informalidade: a Baixada Santista, o ABCD paulista, o Triângulo Mineiro etc.

    Na minha opinião, uma RM de Pelotas é coisa de político buscando visibilidade. Talvez lhe caia melhor uma melancia no pescoço. 

    Ou seria um "movimento" para compensar Pelotas pelo baile que vem levando de Rio Grande. Pode ser. 

    Até agora Pelotas não se moveu para participar do polo naval. Mas que baita orgulho decadente! 

    São José do Norte embarcou na construção de plataformas. 

    Charqueadas já está trabalhando na beira do rio Jacuí para ajudar na construção de embarcações. Porto Alegre tb. 

    Mesmo que seja como cidade-dormitório, Pelotas tem chance, não te parece?

  • Flagrante da cidade: Leite e efeitos do poder
    08/10/2013 | 18h44
    Eduardo Leite: expressão cansada

    As fotos não costumam mentir. Uma máxima sobre o poder é que ele envelhece, especialmente presidentes da República. Em alguns casos, a fotografia pode revelar algo diferente. 

    Na imagem acima, feita nesta segunda (7), na visita do prefeito ao comando da Brigada Militar, Eduardo Leite denuncia cansaço, enfado ou as duas coisas juntas. 

    Além das olheiras, parece ter emagrecido um pouco. 

    Quem disse que estar no poder, mesmo local, é fácil?

    A propósito: Leite esteve na Brigada para tratar do policiamento comunitário que está para ser implantado na cidade, com recursos do governo do estado.

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